Renato Janine, ex-ministro da educação do governo Dilma alega que governo Bolsonaro é contra educação

Para Renato Janine Ribeiro, filósofo e ex-ministro da Educação de Dilma Rousseff, o governo Bolsonaro “não dá a mínima para a educação; eu diria até que é contra a educação”.

Segundo Janine, para combater às ações do atual governo seria preciso uma atuação mais intensa e articulada da sociedade civil.

Em entrevista ao portal UOL, Renato Janine avaliou que a recente aprovação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), na Câmara dos Deputados, mostra que a pressão de setores sociais consegue fazer a diferença.

Também relembra que a gestão federal acumula cortes de verbas na área da educação e polêmicas. Em um ano e meio, por exemplo, a sociedade pode ver três ministros da Educação serem nomeados. Atualmente quem lidera a pasta é o advogado e pastor Milton Ribeiro.

“Dado o atual governo federal, os efeitos da pandemia na educação são uma tragédia”, classificou o ex-ministro. Conforme o Notícias Concursos publicou, um relatório divulgado por um grupo de deputados mostra que o governo não adotou ações para oferecer educação para todos na pandemia da Covid-19.

Reabrir escolas não é medida sensata, diz Janine

Acerca da pauta da reabertura das escolas em meio à pandemia de coronavírus, Renato Janine acredita que não é uma “medida minimamente sensata” neste momento, especialmente se tratando de educação básica.

Apesar das críticas, na avaliação do filósofo o “ensino médio e ensino superior funcionam melhor à distância”.

Críticas ao governo Bolsonaro

De acordo com o ex-ministro, Jair Bolsonaro foi eleito sem uma plataforma de educação, diferente de gestões federais anteriores. Para ele, falta a disposição para combater a desigualdade na educação.

“Desde Itamar Franco [1992-1995], o Brasil foi testando políticas de inclusão social importantes. Com Itamar, Fernando Henrique Cardoso… e com o PT isso tomou uma grande escala”, disse Janine. “O problema é que esse governo é contra isso: não quer esse tipo de inclusão, e infelizmente vários governos estaduais eleitos na cola dele compartilham essas convicções.”

O filósofo falou que é possível combater medidas do governo com atuação ativa da população. “Tem que haver uma pressão da sociedade muito forte; o caso Fundeb é exemplar”, ilustrou.

Assumiu, porém, que a política se mostra desgastada em muitos sentidos. “Tem muita briga entre os partidos; talvez a sociedade deva ter movimentos extra-partidários que busquem restabelecer diálogos, elos — a defesa da vida contra a morte é uma plataforma base. O emblema do presidente é uma arminha com os dedos, uma coisa totalmente louca (…). Colocar a questão da vida e da saúde é fundamental, e a educação básica pública unifica muito no Brasil, haja visto o Fundeb”, afirmou.